Amigos leitores do blog.
Foi aprovado ontem o orçamento para o ano que vem, 2010, para o Estado e para a Cidade de São Paulo. A aprovação na Assembléia Legislativa, por exemplo, se arrastou até 3h da manhã, com direito a retomada da discussão das emendas na tarde de hoje. Na Câmara Municipal não demorou muito, mas a discussão foi bem acalorada. Vou começar falando da aprovação das contas do Estado.
Os deputados estaduais aprovaram um orçamento de R$ 125,5 bilhões. Pela proposta, serão investidos R$ 8,3 bilhões em transportes metropolitanos – R$ 2,5 bilhões a mais que o orçamento deste ano. O governo pretende gastar cerca de R$ 1 bilhão a mais em cada uma dessas áreas: saúde, educação e segurança pública. Em outras áreas, entretanto, houve redução. A maior foi no valor destinado para as obras na calha do Rio Tietê: R$ 115 milhões, valor 40% menor que o que foi gasto em 2009. É menos do que o governo pretende investir em publicidade: R$ 204 milhões.
Já na Câmara Municipal, a disparidade de número foi mais gritante. Os vereadores de São Paulo aprovaram por 42 votos a 13 o projeto que fixa o Orçamento da cidade em R$ 27,9 bilhões para 2010. O valor é um pouco maior do aprovado para este ano (R$ 27,5 bilhões). A maior parte vai para a educação, 32% e para a saúde, 21,2%. Estas áreas foram as únicas que não sofreram cortes. As 31 Subprefeituras devem receber R$ 898 milhões. A oposição esperava pelo menos R$ 1 bilhão.
O relator do Orçamento, Milton Leite (DEM), cortou R$ 70 milhões da verba para canalização de córregos, R$ 1 milhão para área de risco e R$ 30 milhões da coleta de lixo. Mesmo com toda a chuva que já caiu, e que ainda vai cair, o orçamento da capital para as áreas de risco vai ser bem menor que o previsto para a publicidade oficial. Para investir nas áreas de risco no ano que vem, estão previstos R$ 25 milhões. Um valor muito menor do que vai ser gasto, por exemplo, com publicidade da prefeitura. Só pra isso foram separados R$ 126 milhões.
Que engraçado, né? Não há dinheiro para as obras do Rio Tietê, para evitar as enchentes, mas há para a publicidade… Se não há obras, vão ser feitas propagandas do quê? Como se faz propaganda de algo que não será feito?
O absurdo maior está mesmo na Capital. Atente para o detalhe, amigo leitor: cortou-se R$ 70 milhões da verba para canalização de córregos, R$ 1 milhão para área de risco e R$ 30 milhões da coleta de lixo. Ou seja, os serviços essenciais para ajudar no combate às enchentes serão reduzidos, ao invés de aumentados! Vamos virar uma cidade submersa (mais ainda)! E com todo esse dinheiro destinado à publicidade (R$ 126 milhões), repito a pergunta, vão ser feitas propagandas do quê? Como se faz propaganda de algo que não será feito?
O que mais eu poderia esperar dos ilustres vereadores da nossa Capital? O que mais?
PS: Olha a cara de satisfação dos rapazes…


