
Amigos. Não queria escrever sobre o ocorrido no fim de semana aqui em São Paulo, no Autódromo de Interlagos, na última prova do campeonato de Fórmula 1. O Brasil inteiro acompanhou, torcendo, vibrando, xingando, como há muito não se via em corridas de carros no Brasil. Claro, ficamos todos tristes pelo que aconteceu com o piloto brasileiro do momento, Felipe Massa, mas resolvi escrever algumas considerações sobre o ocorrido.
Felipe Massa não perdeu o campeonato no domingo, depois da bandeirada final. Massa veio perdendo o campeonato durante todo o ano, em erros e mais erros, alguns imperdoáveis, tanto dele como da equipe dele, a até então impecável Ferrari. Erros como aquela saída errada dos boxes, que vai ficar na história, com Massa saindo e a mangueira de combustível pendurada no carro; erros de estratégia em corridas com chuva; erros em tentativas de ultrapassagens e largadas equivocadas… Enfim, não adianta nada chorar pelo leite que vem sendo derramado desde a primeira corrida do ano.
Palmas para Massa sim, que lutou como há tempos não se via um piloto brasileiro lutar por um título de Fórmula 1. Mas palmas mais efusivas para o campeão, Lewis Hamilton, que foi impecável, perfeito, frio e calculista durante todo o torneio. Até na última corrida, na qual ele chegou à última posição que lhe garantiria o título… Ou seja, o inglês fez o necessário para ser campeão.
Rubinho - Final melancólico para o piloto Rubens Barrichello. Um dos melhores pilotos brasileiros da Fórmula 1 termina a última prova de 2008 sem perspectivas para 2009. Pode estar entrando num processo de aposentadoria forçada. Uma pena, para um piloto que foi extremamente injustiçado durante toda a sua carreira. Desde a morte de Senna, ele foi colocado como um “salvador da pátria”, o substituto do mito, o que não aconteceu e nunca aconteceria.
É complicado comparar um bom piloto a um fenômeno, um monstro das pistas. Primeiro porque Rubens sempre esteve em equipes pequenas, que nunca passavam de medianas. Segundo porque, quando foi para uma equipe de ponta, como a Ferrari, foi obrigado a viver à sombra de Michael Schumacher, outro monstro do volante, sem espaço nem mesmo para ganhar corridas. Quantas e quantas corridas Rubens foi impecável, mas na última volta tinha que ceder a posição ao seu companheiro de equipe? E, mesmo assim, acabou como vice-campeão nos anos de 2002 e 2004. Precisamos mesmo tirar o chapéu para Barrichello, que agüentou tudo isso, mais as críticas da imprensa brasileira mal-acostumada e hoje é o piloto com mais corridas na história da Fórmula 1.
Vamos reconhecer o campeão sim, mas vamos reconhecer quem sempre lutou para ter um lugarzinho ao sol, mesmo que não seja nas primeiras posições!
Abraços!