
Quando a gente acha que já viu de tudo neste Brasil varonil, eis que surge mais um absurdo. E foi um absurdo pouco divulgado… Tanto que eu nem escrevi antes aqui no blog porque achei que a mídia iria dar mais ênfase a isso… Me enganei! Então, acho que os amigos leitores deste humilde espaço opinativo devem saber disso.
Pois bem: Billy, um gato com 4 anos de idade, foi cadastrado no Bolsa-Família como Billy da Silva Rosa, e recebeu durante sete meses o benefício do governo, R$ 20 por mês. A descoberta ocorreu quando um agente de saúde foi até a casa do bichano convocá-lo para a pesagem no posto de saúde, conforme exige o programa no caso de crianças: “mas o Billy é meu gato”, disse a dona da casa ao agente.
Ela não sabia que o marido, Eurico Siqueira da Rosa, coordenador do programa no município de Antônio João, interiorzão do Mato Grosso do Sul, recebia o benefício do gato e de mais dois filhos que o casal não tem. Os filhos fantasmas faziam jus a R$ 62 cada, desde o início de 2008, quando Eurico assumiu o cargo.
O golpe foi identificado em setembro e o benefício foi suspenso. Eurico ainda tentou retirar Billy do cadastro e pôr o sobrinho Brendo Flores da Silva no lugar. Mas já era tarde. No início desta semana o “pai” do gato Billy acabou exonerado e está sendo denunciado à Justiça.
O promotor Douglas Oldegardo Cavalheiro disse que o servidor terá de devolver o que recebeu ilegalmente. Ontem a secretária municipal de Assistência Social disse que a partir de fevereiro será realizado recadastramento para verificar se há novas fraudes na cidade. Antônio João tem 1.184 beneficiários do Bolsa-Família e é um dos municípios mais pobres de Mato Grosso do Sul.
Aqui, neste caso, não podemos nem culpar o governo pela sacanagem e canalhice do funcionário público. Corruptos e pessoas querendo passar as outras para trás tem em quando lugar do mundo, em qualquer segmento ou atividade, não podemos negar. Porém, isso mostra a fragilidade do programa, que deveria ter a estrita ação de ajudar quem realmente precisa. Um programa tão grande como esse, com essa amplitude, deveria ser melhor adequado e fiscalizado para não cairmos em problemas como este.
Imagine você, amigo leitor, o que deve acontecer em outras cidades, em outros “interiores” de todos esses estados da nação… Quantos outros “Billys” podem estar recebendo tal benefício?
Abração!
