Archive for the ‘Sociedade’ Category

Qual é a verdadeira verdade?

13/02/2014

cinegrafista-band-santiago

Sempre ouvi dizer que toda ocasião tem 3 verdades: a sua, a minha e a verdade real. Será que é verdade mesmo? Essa é uma pergunta que sempre paira na minha cabeça sempre que deparo com determinadas situações, cotidianas ou especiais. Qual é a verdade? Quem está com a razão? É possível saber exatamente a verdade sobre tudo?

Essas perguntas vieram à minha cabeça depois do ocorrido com o cinegrafista da Band, Santiago Andrade, e todo o desenrolar que este acontecimento trouxe na mídia, nas redes sociais, no balcão da padaria, nas rodas de amigos. Afinal, o que teria realmente acontecido com ele? Quem efetivamente soltou aquele maldito rojão?

As imagens foram analisadas e chegou-se a uma pessoa. Essa pessoa disse que tinha dado o rojão a outra, e tinha recebido de outra, uma confusão danada. Eis que chegaram numa tal de Sininho e descobriu-se que ela tinha envolvimento com um determinado político, que por sua vez negou ter qualquer relação e, enfim, chegou-se no cara que, segundo a polícia, teria sido o autor da coisa toda. O tal do Caio Souza foi preso por ter confessado ter acendido e lançado o rojão. Pronto, história resolvida, culpado encontrado, réu confesso, tudo certo. Certo?

Mais ou menos. Começou a pipocar nas redes sociais a teoria de que este Caio seria apenas um laranja, que ele estaria confessando o crime apenas para “acobertar” alguém, que este outro alguém aparece nas imagens da manifestação, mas ninguém sabe quem é. Ou melhor, até sabem, dizem que é um tal de P2 (um infiltrado da polícia na manifestação).

Agora, uma outra versão, que foi publicada na página do PCO – Pardido da Causa Operária, afirma veementemente que foi a polícia que soltou essa bomba que acertou o Santiago. Dá detalhes, inclusive, baseado em outros relatos de pessoas que participavam/observavam a manifestação.

E agora? Qual é a verdade? Em quem acreditar? Qual é a verdadeira verdade? Nunca saberemos?

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Conselho Gestor de Parques Municipais não serve pra nada!

12/02/2014

Parque

É… Quando, em 2010, em uma reunião na Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, ouvi da boca de um diretor que os Conselhos Gestores de Parques Municipais não serviam pra nada, que nada do que se discutia nas reuniões mensais valia alguma coisa e que as atas da nossa reunião eram “papéis de banheiro”, fiquei um tanto quanto chateado, mas, na minha humilde inocência, acreditei que ele havia dito isso em um momento de nervosismo.

Pois ele estava certo e eu, tonto, estava errado. Realmente o conselho e os conselheiros não servem pra nada mesmo! Essa deve ser também a opinião do deputado Carlos Neder e do vereador Nabil Bonduki. Uma lei desses dois citados, promulgada na calada da noite no final de 2013, transforma definitivamente, legalmente, os Conselhos Gestores dos Parques Municipais em grandes conglomerados de absolutamente nada.

Explico: em 2003, foram criados os conselhos gestores dos parques municipais em São Paulo. Ideia boa, porém mal executada e mal organizada desde o começo. Seriam eleitos conselheiros 9 representantes da sociedade civil (sendo 6 pessoas físicas usuárias do parque e 3 entidades locais), além de mais 9 representantes do poder executivo, indicados por secretarias específicas (incluindo o administrador e um funcionário do parque). Pouca gente pra representar os usuários dos parques, alguns deles frequentados por mais de 1 mil pessoas por dia. Pouco. Mas tudo bem, fomos levando assim mesmo.

A questão é que os conselhos começaram a crescer e a “incomodar” os gestores públicos, que eram questionados a cada coisa que acontecia no parque (como sempre, sem a consulta dos usuários e do dito conselho). Foi então que a atual gestão municipal percebeu que havia criado um monstro, que poderia mordê-lo a qualquer momento, e a mordida poderia ser dolorosa.

Tratou de correr. Fez uma Lei que diminui em mais da metade o número de conselheiros gestores dos parques municipais e o transforma em “consultivo”, ou seja, o que o conselho fala, não vale nada e não tem peso nas decisões da Secretaria do Verde e Meio Ambiente. Agora, ao invés de 9 representantes da sociedade civil, serão apenas 4 (3 usuários e 1 entidade). Se já era difícil, se já era desproporcional 9 usuários responderem por todos os frequentadores de um parque público, 4 fica humanamente impossível.

Aí, vem o deputado Carlos Neder e escreve em seu site: “Trata-se de uma importante vitória para o meio ambiente da capital paulista e para a sociedade que poderá participar de maneira mais efetiva da vida dos parques municipais. Os parlamentares estão felizes pela oportunidade de oferecer aos moradores da capital essa oportunidade de participar da gestão pública municipal”. Ele realmente não tem a menor ideia do que está fazendo e não deve conhecer o parque que fica na esquina da sua casa (se é que mora em São Paulo, pra falar essa barbárie). Essa é a maior derrota da população que luta pelo verde na cidade, deputado. A participação popular na gestão pública está sendo diminuída de uma forma assustadora. Uma Lei definitivamente assustadora.

Fui conselheiro do Parque Ecológico de Vila Prudente por 4 anos como usuário e por 2 anos como representante de uma entidade e digo, convicto: a Prefeitura está acabando com a participação popular no quesito meio ambiente. Pudera, uma gestão que ignora o verde na cidade, uma gestão que em seu vídeo institucional (onde faz propaganda de suas realizações) não diz uma linha sobre o verde na cidade, uma gestão que ignora os anseios da população para a criação de parques como o da Augusta, o da Vila Ema e o do São Lucas, não pode mesmo querer que as pessoas participem da preservação do verde na cidade.

Obrigado prefeito Fernando Haddad, por ignorar o meio ambiente em São Paulo. Obrigado deputado Carlos Neder e vereador Nabil Bonduki, por criarem a lei que diminui a participação das pessoas na administração da cidade. E obrigado aos outros vereadores que votaram a favor deste gigantesco erro. Só que não…

Quem sabe no dia em que a cidade estiver afundada no concreto, com uma das piores qualidade do ar no mundo, essas mesmas pessoas lembrem deste erro e, quem sabe, resolvam voltar atrás. Só espero que não seja tarde demais.

Ah, só pra constar: o secretário do Verde e Meio Ambiente até o início de 2014 era Ricardo Teixeira, que se diz da Mooca, o bairro com menor índice de área verde por habitante de toda a capital. Isso explica?

O “rolezinho” e suas facetas!

13/01/2014

Mais uma vez, vem à tona na imprensa a questão do “rolezinho”, jovens da periferia que se encontram em grandes centros comerciais (shoppings, na maioria das vezes). A quantidade de jovens é muito grande, e sempre acaba acontecendo alguma bagunça, correria, gritaria, coisas que acontecem em qualquer grande aglomerado de pessoas. Há muitas coisas envolvidas nessa questão desse tal “rolezinho”.

A primeira delas é que conta-se nos dedos o número de jovens que realmente entram no shopping para consumir. No último “rolezinho” no shopping Metrô Itaquera, por exemplo, foram estimados 3 mil jovens. Quantos desses jovens consumiram alguma coisa no shopping dentre esses 3 mil? Portanto, não é um “rolezinho” para compras.

Outro detalhe é que os shoppings são locais privados, aberto ao público, mas privados. Eles podem proibir qualquer ato ou circulação de pessoas dentro de suas dependências, assim como também são os únicos responsáveis por qualquer coisa que aconteça. E, claro, nenhum shopping quer que algo aconteça com ele, muito menos com seus clientes, os que realmente consomem. Tanto é que o Shopping JK Iguatemi conseguiu na justiça o direito de punir os que fossem identificados nos “rolezinhos” previstos para o local.

A presença da polícia e o possível excesso de autoridade nas repressões a estes jovens também foram destaque na imprensa. Claro, qualquer abuso de poder deve ser investigado e punido se confirmado, mas um dos atributos da polícia também é “manter a ordem”. Como que se consegue manter a ordem de quase 3 mil pessoas correndo e gritando pelos corredores de um shopping? E, no caso deste fim de semana, em Itaquera, várias lojas do shopping e fora dele fora danificadas e obrigadas a baixar as portas. Destruir patrimônio, seja público e privado, não é a melhor forma de protestar, todo mundo sabe disso.

Sim, é o mundo que está errado. E é claro que há nestes jovens o anseio de mudar o mundo. Mas não é em “eventos” desse tipo que os jovens vão conseguir protestar, aparecer ou serem vistos, serem inseridos no mercado de consumo, a famosa “ostentação”. Pode ser piegas, mas a mudança só existe nas urnas. Casos como esses só vão fazer a polícia continuar achando que todos são “farinha do mesmo saco”, e vão tratar todos da mesma forma sempre.

Como disse a amiga e atriz Dani Moreno em sua página do Facebook: “Minhas sugestões de ‘rolezim’ pra essa galera jovem e cheia de vontade de mudar o mundo: MASP,  OCA, a biblioteca pública mais próxima, uma breve olhada no guia OFF e terão ‘rolezins’ para o mês inteiro, Palácio do Governo e Prefeitura com faixas e cartazes de protesto em punho.”