Bandeira do SUS… Qual a necessidade disso?

22/01/2014

Na semana passada li uma notícia que me arrepiou dos pés à cabeça. Não pela notícia em si, mas pelo absurdo a que chegou este Governo Federal e a sua enorme capacidade de criar imbecilidades. Foi publicado no Diário Oficial da União do dia 14 de janeiro de 2014 que o SUS (Sistema Único de Saúde) estaria criando a “bandeira do SUS”.

O pior não é isso: o texto da portaria assinado pelo ministro da Saúde Alexandre Padilha diz que a bandeira “deverá ser hasteada diariamente em todos os prédios dos órgãos e entidades integrantes da estrutura regimental do Ministério, em todo o território nacional”. Claro, está tudo indo muito bem com a saúde do Brasil, que até deu tempo pra se preocupar com o hasteamento de bandeiras…

Num país onde a saúde é uma das piores do mundo, onde as pessoas agonizam e morrem nas filas e nos corredores dos hospitais e dos postos de saúde, onde faltam equipamentos adequados, onde os profissionais não são capacitados e somos obrigados a “importar” mais profissionais, onde vemos dinheiro escorrendo pelos ralos de Brasília e caindo nas mãos dos ratos, quando deveriam estar suprindo as necessidades do brasileiro, um ministro ter a capacidade de pensar na criação de um pedaço de pano branco e azul e obrigar (sim, obrigar) a levantar esse pano por uma corda e um mastro todo dia, faça chuva ou sol, é a certeza de que estamos caminhando cada vez mais para o fundo do poço.

No Jornal Interativo, telejornal da AllTV, que apresento às terças-feiras junto com Renato Loeb, fizemos um comentário sobre esta nova “investida” do ministro Padilha. Veja:

E pensar que este ministro, que teve esta brilhante ideia, quer ser governador de São Paulo. Então tá!

O “rolezinho” e suas facetas!

13/01/2014

Mais uma vez, vem à tona na imprensa a questão do “rolezinho”, jovens da periferia que se encontram em grandes centros comerciais (shoppings, na maioria das vezes). A quantidade de jovens é muito grande, e sempre acaba acontecendo alguma bagunça, correria, gritaria, coisas que acontecem em qualquer grande aglomerado de pessoas. Há muitas coisas envolvidas nessa questão desse tal “rolezinho”.

A primeira delas é que conta-se nos dedos o número de jovens que realmente entram no shopping para consumir. No último “rolezinho” no shopping Metrô Itaquera, por exemplo, foram estimados 3 mil jovens. Quantos desses jovens consumiram alguma coisa no shopping dentre esses 3 mil? Portanto, não é um “rolezinho” para compras.

Outro detalhe é que os shoppings são locais privados, aberto ao público, mas privados. Eles podem proibir qualquer ato ou circulação de pessoas dentro de suas dependências, assim como também são os únicos responsáveis por qualquer coisa que aconteça. E, claro, nenhum shopping quer que algo aconteça com ele, muito menos com seus clientes, os que realmente consomem. Tanto é que o Shopping JK Iguatemi conseguiu na justiça o direito de punir os que fossem identificados nos “rolezinhos” previstos para o local.

A presença da polícia e o possível excesso de autoridade nas repressões a estes jovens também foram destaque na imprensa. Claro, qualquer abuso de poder deve ser investigado e punido se confirmado, mas um dos atributos da polícia também é “manter a ordem”. Como que se consegue manter a ordem de quase 3 mil pessoas correndo e gritando pelos corredores de um shopping? E, no caso deste fim de semana, em Itaquera, várias lojas do shopping e fora dele fora danificadas e obrigadas a baixar as portas. Destruir patrimônio, seja público e privado, não é a melhor forma de protestar, todo mundo sabe disso.

Sim, é o mundo que está errado. E é claro que há nestes jovens o anseio de mudar o mundo. Mas não é em “eventos” desse tipo que os jovens vão conseguir protestar, aparecer ou serem vistos, serem inseridos no mercado de consumo, a famosa “ostentação”. Pode ser piegas, mas a mudança só existe nas urnas. Casos como esses só vão fazer a polícia continuar achando que todos são “farinha do mesmo saco”, e vão tratar todos da mesma forma sempre.

Como disse a amiga e atriz Dani Moreno em sua página do Facebook: “Minhas sugestões de ‘rolezim’ pra essa galera jovem e cheia de vontade de mudar o mundo: MASP,  OCA, a biblioteca pública mais próxima, uma breve olhada no guia OFF e terão ‘rolezins’ para o mês inteiro, Palácio do Governo e Prefeitura com faixas e cartazes de protesto em punho.”

O tiro no pé (ou na cabeça mesmo) de Paulo Skaf!

02/01/2014

paulo-skaf

Paulo Skaf é presidente da Federação das Indústrias de São Paulo. Disso, todo mundo sabe. Ele também foi candidato ao Governo de São Paulo na última eleição, em 2010. Disso, todo mundo sabe também. Todo mundo sabe também que ele obteve pouco mais de 1 milhão de votos (não chegou nem a 5% dos votos válidos). Na época, ele até fez um barulhinho, apareceu bastante (era apoiado pelas indústrias, dinheiro não faltava), mas o partido era relativamente pequeno (PSB) e não decolou. Ficou atrás de Celso Russomano no número de votos, fato que por si só já é vergonhoso.

Lá vem Paulo Skaf de novo, tentar se eleger governador de São Paulo mais uma vez. Agora, por um partido mais “robusto”, mais representativo e mais conhecido, o PMDB. Já tem a estrutura da indústria por trás, agora tem um partido com condições de levá-lo a uma votação bem mais expressiva do que em 2010 (pelo menos, esquecer a vergonha de ter menos votos que Russomano). Vai fazer mais barulho e dar mais trabalho para o eixo PSDB-PT, não tenha dúvida.

As propagandas na TV já começaram: Skaf mostrando jovens formandos do “sistema S”, em especial o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), felizes e encaminhados ao primeiro emprego, ao mercado de trabalho. Realmente, o sistema de ensino é excelente e de lá saem grandes profissionais. Conheço bem o SENAI e tenho que concordar que o ensino é de Excelência. Já dá pra notar que esta será a principal bandeira de campanha dele, a educação.

Porém, Skaf esqueceu que antes de qualquer coisa, para ser político é preciso fazer política. E, neste quesito, ele vem dando tiro atrás de tiro no pé. Vamos aos fatos.

Primeiro, por ser do PMDB, ele é um parceiro do governo federal e do PT. Mesmo na cidade de São Paulo, o PMDB tem três Secretarias no governo de Fernando Haddad. Eis que Skaf lança uma campanha na TV criticando o aumento do IPTU em São Paulo, dizendo ser “um verdadeiro absurdo”. E é mesmo. Porém, Skaf deve ter esquecido que todos os vereadores do PMDB, seu partido, votaram A FAVOR do aumento do IPTU. E ninguém do partido gostou das críticas feitas por ele em rede nacional.

Agora, além da desconfiança de seu próprio partido, ele levantou a ira de toda a cúpula do PT paulistano. O mais irritado (e não seria diferente), é o prefeito-problema Fernando Haddad. Ouviu-se até, do próprio prefeito, um pedido para que Skaf pare imediatamente com esta campanha contra o IPTU, até porque, Haddad ameaçou até a cortar verba das secretarias comandadas pelo PMDB, inclusive da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, encabeçada por Luciana Temer, filha do todo-poderoso do PMDB Michel Temer.

Temer, inclusive, se mostrou preocupado com essa rusga e sabe que a retaliação do PT pode ser muito pior, como sempre costuma ser. O povo pode até esquecer uma propaganda (principalmente política), mas o PT não esquece. Portanto, é bom Skaf voltar pra casinha dele por um tempo e deixar a poeira baixar, senão é muito provável que ele fique sozinho neste campanha eleitoral, sem o apoio, inclusive, do seu próprio partido.