Posts Tagged ‘São Paulo’

A Cracolândia, seus dependentes e seus traficantes

28/01/2014

craco

Muito se falou na semana passada sobre a ação da Polícia Civil, do DENARC, na Cracolândia. Foi uma ação forte, ríspida, violenta, sem dúvida. Teve bomba de gás, correria e quebra-quebra. Quem passava por lá, ou quem viu as cenas por fotos e vídeos, viu que a coisa não foi fácil.

Como sempre, os “intelectualóides” trataram de se pronunciar e vomitar suas opiniões, sem ao menos estudar a fundo o problema. Como em toda a situação, existem pelo menos 3 verdades: a sua, a do outro, e a verdade propriamente dita. Cada um tem um olho para observar determinada situação e esse cada um a observa como achar melhor, mais conveniente para ele.

E volta à tona aquela velha questão: na Cracolândia só tem doente realmente? São apenas drogados que estão acabando com a própria vida e não fazem mal a ninguém, a não ser a eles mesmos?

Depois da ação, a Prefeitura de São Paulo disse que “caiu por terra” todo o trabalho que vinha realizando de recuperação desses drogados, a “Operação Braços Abertos”, lançada no começo do ano. Segundo a Prefeitura, “os dependentes de drogas formam um segmento social vulnerável que tem como viga mestra de sustentação o próprio vício. É difícil que saiam da dependência sem ter outras formas de se sustentar. Ou seja, moradia, alimentação e emprego ampliam as condições para o tratamento para sair do vício alcance melhores resultados”. E concordo. É necessário mesmo que se faça um trabalho social com esses dependentes para que eles sejam inseridos novamente na sociedade.

Agora, o que não podemos ignorar é o fato de que, se os dependentes se juntam EXATAMENTE ali, é porque alguma coisa os leva até lá. E todo mundo sabe o que é, não precisa ficar de hipocrisia: o dependente de droga vai onde tem a droga. O comércio de drogas acontece livremente por lá e, até onde me consta, a venda de drogas é crime. Portanto, um problema sim de segurança pública. O traficante deve sim ser preso e receber as devidas sanções legais.

O dependente, para manter o seu vício, precisa pagar o traficante, o que o leva a cometer roubos e furtos, a agredir pessoas e se torna violento para sobreviver no seu mundo. Aí temos outro problema de segurança pública, que deve também ser combatido como qualquer outro problema de segurança pública.

A ação da polícia foi legítima sim, tanto quanto a ação da prefeitura. Ou seja, vamos ficar discutindo aqui eternamente sobre o fato em si e nunca chegaremos ao necessário, ao que deve ser feito: uma ação conjunta dos dois poderes, Polícia (Estado) e Assistência Social (Prefeitura) para que o problema se resolva. Essa é a única maneira. E enquanto os dois, Estado e Prefeitura, não sentarem e conversarem sobre o problema, vai ser sempre assim, cada um achando que a sua ação ou o seu projeto é a que vale a pena e a outra vai atrapalhar.

Como disse aquele velho filósofo, o buraco é bem mais embaixo. E temos que descer até lá para resolver.

Anúncios

O tiro no pé (ou na cabeça mesmo) de Paulo Skaf!

02/01/2014

paulo-skaf

Paulo Skaf é presidente da Federação das Indústrias de São Paulo. Disso, todo mundo sabe. Ele também foi candidato ao Governo de São Paulo na última eleição, em 2010. Disso, todo mundo sabe também. Todo mundo sabe também que ele obteve pouco mais de 1 milhão de votos (não chegou nem a 5% dos votos válidos). Na época, ele até fez um barulhinho, apareceu bastante (era apoiado pelas indústrias, dinheiro não faltava), mas o partido era relativamente pequeno (PSB) e não decolou. Ficou atrás de Celso Russomano no número de votos, fato que por si só já é vergonhoso.

Lá vem Paulo Skaf de novo, tentar se eleger governador de São Paulo mais uma vez. Agora, por um partido mais “robusto”, mais representativo e mais conhecido, o PMDB. Já tem a estrutura da indústria por trás, agora tem um partido com condições de levá-lo a uma votação bem mais expressiva do que em 2010 (pelo menos, esquecer a vergonha de ter menos votos que Russomano). Vai fazer mais barulho e dar mais trabalho para o eixo PSDB-PT, não tenha dúvida.

As propagandas na TV já começaram: Skaf mostrando jovens formandos do “sistema S”, em especial o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), felizes e encaminhados ao primeiro emprego, ao mercado de trabalho. Realmente, o sistema de ensino é excelente e de lá saem grandes profissionais. Conheço bem o SENAI e tenho que concordar que o ensino é de Excelência. Já dá pra notar que esta será a principal bandeira de campanha dele, a educação.

Porém, Skaf esqueceu que antes de qualquer coisa, para ser político é preciso fazer política. E, neste quesito, ele vem dando tiro atrás de tiro no pé. Vamos aos fatos.

Primeiro, por ser do PMDB, ele é um parceiro do governo federal e do PT. Mesmo na cidade de São Paulo, o PMDB tem três Secretarias no governo de Fernando Haddad. Eis que Skaf lança uma campanha na TV criticando o aumento do IPTU em São Paulo, dizendo ser “um verdadeiro absurdo”. E é mesmo. Porém, Skaf deve ter esquecido que todos os vereadores do PMDB, seu partido, votaram A FAVOR do aumento do IPTU. E ninguém do partido gostou das críticas feitas por ele em rede nacional.

Agora, além da desconfiança de seu próprio partido, ele levantou a ira de toda a cúpula do PT paulistano. O mais irritado (e não seria diferente), é o prefeito-problema Fernando Haddad. Ouviu-se até, do próprio prefeito, um pedido para que Skaf pare imediatamente com esta campanha contra o IPTU, até porque, Haddad ameaçou até a cortar verba das secretarias comandadas pelo PMDB, inclusive da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, encabeçada por Luciana Temer, filha do todo-poderoso do PMDB Michel Temer.

Temer, inclusive, se mostrou preocupado com essa rusga e sabe que a retaliação do PT pode ser muito pior, como sempre costuma ser. O povo pode até esquecer uma propaganda (principalmente política), mas o PT não esquece. Portanto, é bom Skaf voltar pra casinha dele por um tempo e deixar a poeira baixar, senão é muito provável que ele fique sozinho neste campanha eleitoral, sem o apoio, inclusive, do seu próprio partido.

Fazendo propaganda do quê?

16/12/2009

Amigos leitores do blog.

Foi aprovado ontem o orçamento para o ano que vem, 2010, para o Estado e para a Cidade de São Paulo. A aprovação na Assembléia Legislativa, por exemplo, se arrastou até 3h da manhã, com direito a retomada da discussão das emendas na tarde de hoje. Na Câmara Municipal não demorou muito, mas a discussão foi bem acalorada. Vou começar falando da aprovação das contas do Estado.

Os deputados estaduais aprovaram um orçamento de R$ 125,5 bilhões. Pela proposta, serão investidos R$ 8,3 bilhões em transportes metropolitanos – R$ 2,5 bilhões a mais que o orçamento deste ano. O governo pretende gastar cerca de R$ 1 bilhão a mais em cada uma dessas áreas: saúde, educação e segurança pública. Em outras áreas, entretanto, houve redução. A maior foi no valor destinado para as obras na calha do Rio Tietê: R$ 115 milhões, valor 40% menor que o que foi gasto em 2009. É menos do que o governo pretende investir em publicidade: R$ 204 milhões.

Já na Câmara Municipal, a disparidade de número foi mais gritante. Os vereadores de São Paulo aprovaram por 42 votos a 13 o projeto que fixa o Orçamento da cidade em R$ 27,9 bilhões para 2010. O valor é um pouco maior do aprovado para este ano (R$ 27,5 bilhões). A maior parte vai para a educação, 32% e para a saúde, 21,2%. Estas áreas foram as únicas que não sofreram cortes. As 31 Subprefeituras devem receber R$ 898 milhões. A oposição esperava pelo menos R$ 1 bilhão.

O relator do Orçamento, Milton Leite (DEM), cortou R$ 70 milhões da verba para canalização de córregos, R$ 1 milhão para área de risco e R$ 30 milhões da coleta de lixo. Mesmo com toda a chuva que já caiu, e que ainda vai cair, o orçamento da capital para as áreas de risco vai ser bem menor que o previsto para a publicidade oficial. Para investir nas áreas de risco no ano que vem, estão previstos R$ 25 milhões. Um valor muito menor do que vai ser gasto, por exemplo, com publicidade da prefeitura. Só pra isso foram separados R$ 126 milhões.

Que engraçado, né? Não há dinheiro para as obras do Rio Tietê, para evitar as enchentes, mas há para a publicidade… Se não há obras, vão ser feitas propagandas do quê? Como se faz propaganda de algo que não será feito?

O absurdo maior está mesmo na Capital. Atente para o detalhe, amigo leitor: cortou-se R$ 70 milhões da verba para canalização de córregos, R$ 1 milhão para área de risco e R$ 30 milhões da coleta de lixo. Ou seja, os serviços essenciais para ajudar no combate às enchentes serão reduzidos, ao invés de aumentados! Vamos virar uma cidade submersa (mais ainda)! E com todo esse dinheiro destinado à publicidade (R$ 126 milhões), repito a pergunta, vão ser feitas propagandas do quê? Como se faz propaganda de algo que não será feito?

O que mais eu poderia esperar dos ilustres vereadores da nossa Capital? O que mais?

PS: Olha a cara de satisfação dos rapazes…