Archive for the ‘Educação’ Category

O “rolezinho” e suas facetas!

13/01/2014

Mais uma vez, vem à tona na imprensa a questão do “rolezinho”, jovens da periferia que se encontram em grandes centros comerciais (shoppings, na maioria das vezes). A quantidade de jovens é muito grande, e sempre acaba acontecendo alguma bagunça, correria, gritaria, coisas que acontecem em qualquer grande aglomerado de pessoas. Há muitas coisas envolvidas nessa questão desse tal “rolezinho”.

A primeira delas é que conta-se nos dedos o número de jovens que realmente entram no shopping para consumir. No último “rolezinho” no shopping Metrô Itaquera, por exemplo, foram estimados 3 mil jovens. Quantos desses jovens consumiram alguma coisa no shopping dentre esses 3 mil? Portanto, não é um “rolezinho” para compras.

Outro detalhe é que os shoppings são locais privados, aberto ao público, mas privados. Eles podem proibir qualquer ato ou circulação de pessoas dentro de suas dependências, assim como também são os únicos responsáveis por qualquer coisa que aconteça. E, claro, nenhum shopping quer que algo aconteça com ele, muito menos com seus clientes, os que realmente consomem. Tanto é que o Shopping JK Iguatemi conseguiu na justiça o direito de punir os que fossem identificados nos “rolezinhos” previstos para o local.

A presença da polícia e o possível excesso de autoridade nas repressões a estes jovens também foram destaque na imprensa. Claro, qualquer abuso de poder deve ser investigado e punido se confirmado, mas um dos atributos da polícia também é “manter a ordem”. Como que se consegue manter a ordem de quase 3 mil pessoas correndo e gritando pelos corredores de um shopping? E, no caso deste fim de semana, em Itaquera, várias lojas do shopping e fora dele fora danificadas e obrigadas a baixar as portas. Destruir patrimônio, seja público e privado, não é a melhor forma de protestar, todo mundo sabe disso.

Sim, é o mundo que está errado. E é claro que há nestes jovens o anseio de mudar o mundo. Mas não é em “eventos” desse tipo que os jovens vão conseguir protestar, aparecer ou serem vistos, serem inseridos no mercado de consumo, a famosa “ostentação”. Pode ser piegas, mas a mudança só existe nas urnas. Casos como esses só vão fazer a polícia continuar achando que todos são “farinha do mesmo saco”, e vão tratar todos da mesma forma sempre.

Como disse a amiga e atriz Dani Moreno em sua página do Facebook: “Minhas sugestões de ‘rolezim’ pra essa galera jovem e cheia de vontade de mudar o mundo: MASP,  OCA, a biblioteca pública mais próxima, uma breve olhada no guia OFF e terão ‘rolezins’ para o mês inteiro, Palácio do Governo e Prefeitura com faixas e cartazes de protesto em punho.”

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Dia dos professores: mocinho e bandido!

15/10/2012

Faz um tempão que não atualizo aqui, mas hoje é uma data especial!

Hoje é Dia dos Professores. Porém, não vou dar parabéns e dizer aquelas palavras bonitas como todo mundo está fazendo nas redes sociais. Não que eles, os professores, não mereçam, muito pelo contrário, mas prefiro dar minha opinião sobre esta profissão e este dia.

Imaginemos que isso é um filme, como aqueles grandes clássicos de velho-oeste ou os campeões de bilheteria dos super-heróis, onde temos definidos, e muito bem definidos quem é o mocinho e o bandido. Aqui, esta definição também é clara: os professores são os mocinhos e os bandidos, a classe política. Sim, estou generalizando!

Professor não tem vida própria. Professor vive em função de (tentar) passar todo o seu conhecimento e toda a sua bagagem histórica para que o aluno, a criança, crie sua identidade e seu caráter para o resto da vida. Claro, a família tem a sua parte nisso, mas é na escola o aluno confia e sabe que tem lá o seu porto seguro de conhecimento.

E, pelo que ganha um professor hoje, tanto financeiramente como em reconhecimento, temos a obrigação de chamá-lo de herói. Sim, é piegas dizer isso, mas é a realidade. Só mesmo muito amor pra continuar a exercer uma das profissões mais desvalorizadas do país sem se deixar abater com essa falta. Sem contar a questão da estrutura física das nossas escolas (sim, estou generalizando de novo), que não oferece o mínimo para que o professor se preocupe apenas em passar sem conhecimento. E o tanto que um professor teve que estudar para se tornar um professor? Enfim, o professor é hoje valorizado em apenas 10% (se muito) do que deveria!

Agora, os bandidos, ou melhor, políticos têm sim a sua parcela de culpa nisso. Aliás, parcela não, total culpa nessa desvalorização do professor. Já deveriam ter criado leis para melhorar essas condições de trabalho, estrutural e financeira para todos os professores. TODOS. Não é dando meia-entrada em shows e espetáculos que o professor vai encher a barriga; não é pagando o seu transporte que o professor vai ter mais tempo pra estudar e aumentar seu conhecimento; não é dando um vale-refeição de R$ 5,00 que o professor vai se alimentar de forma adequada diariamente.

Talvez o professor não precise disso, não é mesmo senhor político? Não precise de um salário digno e de benefícios comuns a todos os trabalhadores. Mas vocês precisam, né? Vocês precisam de salários que passam dos R$ 20 mil, precisam de 14º, 15º salários, precisam de auxílio-moradia, auxílio-paletó, motorista particular, combustível à vontade… Vocês precisam visitar o seu curral eleitoral, eu sei.

E não adianta, senhor político, vir com esse discurso social-comuna-democrata-populista de que “abre mão de seus benefícios” porque isso não é nem 10% do que você deveria fazer. Com um salário que compra um carro popular por mês, esses “benefícios” são verdadeiros tapas na cara da sociedade.

Se nos filmes o mocinho sempre vence o bandido, este filme está muito longe de acabar… Ou vai acabar de forma diferente, com os valores invertidos, como acontece sempre.

Ah, e só pra lembrar, senhor político: pra você estar sentado neste seu lindo gabinete, lendo este post, um professor foi o responsável por isso! Agora, você o ignora…

Moradores paralisam demolição de edifício dos anos 30 na Mooca

02/07/2010

Foto dos anos 30 da Creche Marina Crespi

Deu no Estadão, escrito pelos jornalistas Rodrigo Burgarelli e Rodrigo Brancatelli. A velha queda de braço entre o mercado imobiliário de São Paulo e os defensores do patrimônio da cidade pode ser resumida em 3.800 metros quadrados de uma pequena travessa da Rua da Mooca. Ali, no número 59 da Rua José Antônio de Oliveira, moradores conseguiram barrar – pelo menos por ora – a demolição de um edifício de 1933, que daria lugar a um prédio residencial de 23 andares bem no coração do bairro da zona leste.

O edifício em questão, conhecido como Creche Marina Crespi, teve a abertura de processo de tombamento aprovada anteontem pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico da Cidade de São Paulo (Conpresp). Isso significa que o órgão admitiu a possibilidade de o edifício ter valor histórico e cultural para a capital e, por isso, precisa de tempo para analisá-lo. Enquanto a decisão definitiva não sair, nenhuma modificação pode ser feita no imóvel sem autorização expressa da Prefeitura. E não há prazo para a votação.

A movimentação em torno desse assunto começou há poucos dias, quando moradores denunciaram ao Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) que o prédio seria demolido.

O projeto é da incorporadora Eztec, que pediu autorização à Prefeitura no começo do ano para demolir o edifício e construir um condomínio residencial de 73 metros de altura e 226 vagas de garagem no local.

Antes de a construtora demonstrar interesse pelo lote, uma creche funcionava no prédio antigo, mas as atividades foram suspensas em dezembro do ano passado por causa das más condições de conservação.

O edifício está hoje visivelmente abandonado. Há pichações nos muros, janelas e portas estão quebradas e o mato tomou conta de quase todo o quintal. Nos fundos, ao lado do estádio da Rua Javari, é possível ver que grande parte do antigo prédio já foi destruída. Segundo a associação responsável pela creche, a destruição não é parte do plano de demolição – como temiam os moradores -, mas foi causada por vândalos que teriam roubado peças de metal e madeira do edifício histórico.

Com o fechamento da creche, as conversas de aquisição pela Eztec ganharam corpo, mas a construtora nega que a compra já tenha sido concretizada. Agora, o negócio não deve ser levado adiante até que saia a decisão definitiva do Conpresp.

Apesar da disposição atual dos moradores de defender o patrimônio e a decisão do Conpresp de proibir modificações no edifício, tanto o órgão de patrimônio municipal quanto os moradores da região nunca se propuseram a discutir a importância histórica do endereço.

Os conselheiros do Conpresp e os técnicos do DPH jamais pediram a abertura de processo de tombamento do edifício e a associação de moradores não indicou o imóvel como um dos que precisariam ser preservados – houve a chance de fazer isso em 2004, mas o endereço não foi mencionado pelos vizinhos.

Para o Conpresp, no entanto, é “um grande equívoco concluir que a indicação feita nos planos regionais esgotaria qualquer discussão futura sobre imóveis que venham a ser tombados”.

O edifício Creche Maria Crespi foi projetado para o conjunto da fábrica de tecidos Cotonifício Crespi pelo arquiteto italiano Giovanni Battista Bianchi. Seu trabalho na Mooca é considerado pelos arquitetos uma relíquia do apogeu industrial de São Paulo. O conjunto de prédios é um exemplo da arquitetura art déco e moderna em São Paulo.